25/05/2009

+ Neruda...

Brincas todos os dias com a luz do Universo.
Sutil visitadora, chegas na flor e na água.
És mais do que a pequena cabeça branca que aperto como um cacho entre as mãos todos os dias.
Com ninguém te pareces desde que eu te amo.
Deixa-me estender-te entre grinaldas amarelas.
Quem escreve o teu nome com letras de fumo entre as estrelas do sul?
Ah, deixa-me lembrar como eras então,quando ainda não existias.
Subitamente o vento uiva e bate à minha janela fechada.
O céu é uma rede coalhada de peixes sombrios.
Aqui vêm soprar todos os ventos, todos.
Aqui despe-se a chuva.
Passam fugindo os pássaros.O vento. O vento.
Eu só posso lutar contra a força dos homens.
O temporal amontoa folhas escurase solta todos os barcos que esta noite amarraram ao céu.
Tu estás aqui. Ah tu não foges.
Tu responder-me-ás até ao último grito.
Enrola-te a meu lado como se tivesses medo.
Porém mais que uma vez correu uma sombra estranha pelos teus olhos.
Agora, agora também pequena, trazes-me madressilva,e tens até os seios perfumados.
Enquanto o vento triste galopa matando borboletas eu amo-te, e a minha alegria morde a tua boca de ameixa.
Quanto te haverá doído acostumares-te a mim,à minha alma selvagem e só,ao meu nome que todos escorraçam.
Vimos arder tantas vezes a estrela d’alva beijando-nos os olhos e sobre as nossas cabeças destorcem-se os crepúsculosem leques rodoiantes.
As minhas palavras choveram sobre ti acariciando-te.
Amei desde há que tempo o teu corpo de nácar moreno.
Creio-te mesmo dona do Universo.Vou trazer-te das montanhas flores alegres, “copihues”,avelãs escuras, e cestos silvestres de beijos.
Quero fazer contigo o que a primavera faz com as cerejeiras. Neruda

2 comentários:

biscoito20 disse...

Não me agrada Neruda. Acho, desculpa, fraco.
E que mania de mostrar mulher pelada em pinturas antigas!

Alex disse...

É verdade... Mas sempre tem que ter um, né? rs
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