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06/04/2012

Você me Pediu um Cigarro…

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Você foi covarde. Seu amor é forte, seu corpo é fraco. Você foi covarde como tantas vezes fui por acreditar que a coragem viria depois. A coragem não vem depois. A coragem vem antes ou não vem. Não posso amaldiçoar sua covardia. Sua boca não é rápida como suas pernas para me agarrar. Minhas pernas não são tão rápidas quanto minha boca para lhe impedir. Você foi covarde. Pela gentileza de sempre dizer sim, repetidos sim, quando não estava ouvindo. Já desfrutei de sua covardia, ríspido recusá-la agora porque não me favorece. Porque não fui escolhido. Não aquecerei seu prato para servi-la. Não a ajudarei no parto. Não partirei. Serei aquele que deveria ter sido, enterrado sem morrer, o que desapareceu permanecendo perto. Sou seu constrangimento mais alegre. Sua ferida, seu feriado. Com o tempo, serei sua vontade de se calar. De se retirar da sala. Não conhecerá meus hábitos de puxar o café antes de ficar pronto. De abrir as venezianas como quem procura reunir os chinelos ao vento. Você foi covarde, ninguém iria compreendê-la. Hoje todos a compreendem, menos você mesma. Você não se compreende depois disso. O que é imenso é estreito. O que é infinito fecha. Até o oceano tem becos e ruas sem saída. Até o oceano. Sua esperança não diminui a covardia. Quer um conselho? Finge que a dor que sente é a minha para entreter sua dor. Saudades ficam violentas quando mudamos de endereço. Saudades ficam insuportáveis quando mudamos de sentido. Você confunde sacrifício com covardia. Compreendo. Eu confundo amor com loucura. Cada um tem seus motivos, sua maneira de se convencer que fez o melhor, fez o que podia. Você me avisou que não tinha escolha. Nunca teria escolha. Você foi educada com a vida, pediu licença, agradeceu os presentes. Confiou que a vida logo a entenderia. E cederia. Engoliu uma palavra para dormir. Não serei vizinho de seu sobrenome. Seus nomes esperam um único nome que ficou para trás. Você não desencarnou, não se encarnou, deixou sua carne parada nas leituras. Morrer é continuar o que não foi vivido. Vai me continuar sem saber. Você foi covarde. Com sua ternura pálida, seu medo de tudo, sua polidez em cumprir as promessas. Você não aprendeu a mentir. Tampouco aprendeu a dizer a verdade. O dia está escuro e não soprarei a luz ao seu lado. O dia está lento e não haverá movimento nas ruas. Você não revidou nenhuma das agressões, não revidará mais essa. Você foi covarde. A mais bela covardia de minha vida. A mais comovida. A mais sincera. A mais dolorida. O que me atormenta é que sou capaz de amar sua covardia. Foi o que restou de você em mim.

( Carpinejar)

02/08/2011

Amor Louco…

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Que raiva que me dá, vc não ter sentido o que eu tinha pra viver, vc não ter sobrevivido e nem conseguido conter…olha só esse poema é pra vc, é esse que em tanto tempo eu não estive nem ao menos preparada pra escrever de tanto que senti, de tanto que sofri de tanto que sobrevivi de hora em hora pra acreditar que nosso caminho seguiu assim…

Eu me engasgo só de  pensar em tanto amor, em tanto rancor, em tanta alegria, rotina, amizade e discórdia, tanto de tudo que não virou em nada, nos tornou essa raiva, essa competição incompetente que faz de nós a cada dia mais carente da realidade que nós fugiu, do certo e do errado que cada um cometeu e nem um jamais irá admitir, inconsistência de cada sentimento que podíamos e devíamos suportar se fossemos fortes e merecêssemos a vitória, mas quis o destino qd fomos fracos e não conseguimos mais viver a NOSSA história.

Hoje JAZ em mim, em ti, em nós, tudo que jamais irei acreditar novamente, morre em mim minhas atitudes fiéis, tuas atitudes cruéis, meu lado louco, o teu amor foi pouco e eu nunca fui mais do que em ti pude merecer, tua presença, descrença de uma época por quem em mim tão pouco de ti existe do que ver teu olhar triste sempre me dizendo, ADEUS!!!

Usa contra mim tudo que me ensinaste e sabes quanto ao fim tudo que me observastes, sou real, amiga, companheira, cruel, felina, sorrateira, sou menina, sou mulher, sou faceira, sou quem não desiste, insiste, e morre por uma causa, como eu vivi e morreria por vc um dia…

 

(Simone Santos)

11/06/2011

♥ Amo-te Assim...

20110604 Crueldade do Amor

Te esperava sem saber
te pressentia sem querer
sempre te amei
Amo-te assim com a sensibilidade
e a paixão dos Deuses
Quero ver-te intensa
amar-te sendo a sua canção
Quero te amar com os olhos
e deixar que eles falem
tudo o que hoje minha
voz teima em calar
Amo-te assim em letras
palavras e sons
Amo-te assim de corpo alma e coração
Alma que desnuda
desprende-se do meu corpo
e rompe os limites
do espaço e da lógica
num vôo suave que me leva ao seu encontro
Deixando no vento
o rastro do meu amor
para que nele encontres
toda a paz que possas precisar
Possa eu ser tua plenitude
E o meu amor possa traduzir-te a eternidade...
... Amo-te assim!

(AlexSimas)

15/04/2011

♥Amor Estranho…

booca

O estranho que mora em você
Não vê que o espelho é cego.
Sua mente é ampla mas seu viver fechado.
Não pôde amar sem vergonha,
Sem descrédito,
Um amor sem mancha e sem medo.
Comparou-me à mulher sem brio
Sem ousar francamente afrontar-me.
E eu não vi finalidade em inútil interesse.
Você, um homem tímido,
Visivelmente embaraçado,
Possui também
Sua própria maneira de sofrer.
Seu amor é incoerente, não manifesto,
Sem suficiente seriedade.
Nossos lábios se chocam!
Morno é o seu abraço
E seu carinho fertilizante
Para o sentimento que me nutre.
Não há falha no julgamento:
É uma alegria criminosa.
Antivalores espreitam-me,
Prendem-me, inconsequentemente sua,
Num abraço que nem acalma, nem aflige.
Estranhos momentos, amor descompassado.
Nossos lábios se chocam!
E ficamos sem saber
Se é aqui que devemos nos separar
Ou se é justo aqui
Que nos encontramos.

17/03/2011

Aos que Amam…

casal_cama

O Livro dos Amantes

I
Glorifiquei-te no eterno.
Eterno dentro de mim
fora de mim perecível.
Para que desses um sentido
a uma sede indefinível.
Para que desses um nome
à exactidão do instante
do fruto que cai na terra
sempre perpendicular
à humidade onde fica.
E o que acontece durante
na rapidez da descida
é a explicação da vida.


II
Harmonioso vulto que em mim se dilui.
Tu és o poema
e és a origem donde ele flui.
Intuito de ter. Intuito de amor
não compreendido.
Fica assim amor. Fica assim intuito.
Prometido.

III
Príncipe secreto da aventura
em meus olhos um dia começada e finita.
Onda de amargura numa água tranquila.
Flor insegura enlaçada no vento que a suporta.
Pássaro esquivo em meus ombros de aragem
reacendendo em cadência e em passagem
a lua que trazia e que apagou.


IV
Dá-me a tua mão por cima das horas.
Quero-te conciso.
Adão depois do paraíso
errando mais nítido à distância
onde te exalto porque te demoras.


V
Toma o meu corpo transparente
no que ultrapassa tua exigência taciturna
Dou-me arrepiando em tua face
uma aragem nocturna.
Vem contemplar nos meus olhos de vidente
a morte que procuras
nos braços que te possuem para além de ter-te.
Toma-me nesta pureza com ângulos de tragédia.
Fica naquele gosto a sangue
que tem por vezes a boca da inocência.


VI
Aumentámos a vida com palavras
água a correr num fundo tão vazio.
As vidas são histórias aumentadas.
Há que ser rio.
Passámos tanta vez naquela estrada
talvez a curva onde se ilude o mundo.
O amor é ser-se dono e não ter nada.
Mas pede tudo.

VII
Tu pedes-me a noção de ser concreta
num sorriso num gesto no que abstrai
a minha exactidão em estar repleta
do que mais fica quando de mim vai.
Tu pedes-me uma parcela de certeza
um desmentido do meu ser virtual
livre no resultado de pureza
da soma do meu bem e do meu mal.
Deixa-me assim ficar. E tu comigo
sem tempo na viagem de entender
o que persigo quando te persigo.
Deixa-me assim ficar no que consente
a minha alma no gosto de reter-te
essencial. Onde quer que te invente.

VIII
Eis-me sem explicações
crucificada em amor:
a boca o fruto e o sabor.

IX
Pusemos tanto azul nessa distância
ancorada em incerta claridade
e ficamos nas paredes do vento
a escorrer para tudo o que ele invade.
Pusemos tantas flores nas horas breves
que secam folhas nas árvores dos dedos.
E ficámos cingidos nas estátuas
a morder-nos na carne dum segredo.

 
(Natália Correia, Poemas 1955)

14/02/2011

O Resto é Ódio…

Vai vendo por isso estou o veneno preciso de uma idéia não vejo
Ninguém familiares parceiros só pensam no que confiam não cai e
Ai ladrão sei muito bem quem foi por mim só deus sabe o que eu
Passei meu amor é de mãe só penso assim são vários os patifes
Que apertam minha mão me chamam de irmão mas viram as costas
Quando a necessidade bate no meu portão eu sempre corri pelo
Certo não sou deus pra ser todo correto não abaixo a cabeça pro
Meu desafeto se é vem pensamento concreto lamento se a inveja
Foi mais forte que a sensatez detentos agora e pra sempre a bola
Da vez eu sim vi, corri e fiz por onde o barato virar
Dificuldades eu passei mas eu resisti as artilharias que por
Sinal cuzão foi fracas demais eu acreditei eu acredito que a
Moral não se ganha se faz corri atrás pois não vou dá asa pro
Inimigo viveu, mas não viverás pra ficar no nosso ritmo quem é
Sabe o que falam que é ser pois já é de fato não faz o barato de
Embalo não vive e nem corre atrás de status parceiro só deus nele
A única confiança e nela é o único amor é a fonte desde criança
Não teve por exemplo um lugar sei que deus esta olhando por mim
E você que dançou no mundão que nada fez por ti fim de ano
Brinquedo guardado castelo só champanhe guarda pra você
Vagabundo.
O amor é só de mãe...
- alô!
- alô, filho? é a mãe, onde que se ta?
- oh mãe, to fazendo um corre com os parceiros que foi preso no
Assalto ali.
- assalto? e você como é que se ta?
- to bem mãe. depois de fazer um corre com a mãe do parceiro ali
Entendeu. é o seguinte, caiu no esquecimento, mais ai, ta preso,
Mas não ta morto não...ta preso, mas não ta morto não,
Entendeu.
- ta bom filho, desculpa.
Dominou seu o resto da grana a policia deu o bote seus
Parceiros da cena temem por você entrar em choque três anos se
Passou e a loira tingida trabalha no 12 que valor que isso tem
Agora já matou pela vaca e nos dias de hoje seus filhos estão
Jogados de aviãozinho na amargura que que você quer pra ele a
Mesma tabela ou a mesma loucura truta agora percebe as pessoas
Que você deu valor enquanto aquela que merece implorava pelo seu
Amor do que adiantou as noitadas com as vagabundas que só queriam
Dinheiro e quantos mil reais na cena mas é só ela que esta
Sofrendo bandido reflita na idéia raciocina porque o caminho é
Constante sem liberdade sem aliado mas com amor que é de mãe.
- na vida do crime eu me entreguei e pra sobreviver eu tive que
Matar e lagrimas de mãe fiz rolar.
- saiba filho que eu te perdoei e pra te ver feliz eu tive que
Chorar só não quero lamentar quero te ver voltar.
È foda saber que já maguo que mais te amava por mais que
Respeitado no crime vagabundo agora se sente um nada parceiro o
Mundo da volta e é sempre ela que vai te ajudar por mais que a
Gente fale de irmão é só nela que dá pra confiar compartilha
Tristeza e alegria pois ninguém é tão fiel assim e eu sei o que
Ela pedi pra ela porque jamais vai querer pra ti entende agora
Vagabundo porque o amor é só de mãe viva por ela de valor
Naquela frase deus te acompanha ai dentro quem manda seu jogo
Esta sempre presente em dia de visita quem desmaiou e quase
Morreu de enfarte com a noticia desamparada chicote estralando
Dentro da prisão e a tropa de choque batia e só ela o coração na
Mão sabendo que quem não senta pra aprender jamais ficara de pé
Pra ensinar e que o crime ele é o que é mas ele jamais vai
Admitir as falhas ela pede a deus que sempre te ilumine que te
Acompanhe o exemplo é pra você vagabundo e o amor é só de mãe.
- eu me lamentei quanto até matei vendo lagrimas de mãe que fiz
Rolar, mas só eu sei tudo o que eu passei quando pra vida do
Crime tive que voltar.

DETENTOS DO RAP

15/12/2010

♥ Para o Meu Coração...

Selec%C3%A7%C3%A3o de imagens da semana 12 (24)

 

Para o meu coração basta o teu peito,
para a tua liberdade as minhas asas.
Da minha boca chegará até ao céu
o que dormia sobre a tua alma.
És em ti a ilusão de cada dia.
Como o orvalho tu chegas às corolas.
Minas o horizonte com a tua ausência.
Eternamente em fuga como a onda.
Eu disse que no vento ias cantando
como os pinheiros e como os mastros.
Como eles tu és alta e taciturna.
E ficas logo triste, como uma viagem.
Acolhedora como um velho caminho.
Povoam-te ecos e vozes nostálgicas.
Eu acordei e às vezes emigram e fogem
pássaros que dormiam na tua alma.


Pablo Neruda, in "Vinte Poemas de Amor e uma Canção Desesperada"

10/12/2010

Desejo…

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“O amor não é senão o desejo; e assim, o desejo é o princípio original de que todas as nossas paixões decorrem, como os riachos da sua origem; por isso, sempre que o desejo de um objecto se acende nos nossos corações, pomo-nos a persegui-lo e a procurá-lo e somos levados a mil desordens.”

Miguel Cervantes

30/05/2010

♥ Sem Amor…

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“…Como é estranha a natureza
morta dos que não tem dor.
Como é estéril a certeza
de quem vive sem amor...”

Cazuza

28/05/2010

♥Amor by Cazuza…

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“O amor é o ridículo da vida. A gente procura nele uma pureza impossível, uma pureza que está sempre se pondo. A vida veio e me levou com ela. Sorte é se abandonar e aceitar essa vaga ideia de paraiso que nos persegue, bonita e breve, como borboletas que só vivem 24 horas. Morrer não doi.”

Cazuza

08/11/2009

O Amor Antigo...




O amor antigo vive de si mesmo,


não de cultivo alheio ou de presença.


Nada exige nem pede. Nada espera,


mas do destino vão nega a sentença.



O amor antigo tem raízes fundas,


feitas de sofrimento e de beleza.


por aquelas mergulha no infinito,


e por estas suplanta a natureza.



Se em toda parte o tempo desmorona


aquilo que foi grande e deslumbrante,


o amor antigo, porém, nunca fenece


e a cada dia surge mais amante.



Mais ardente, mas pobre de esperança.


Mais triste? Não. Ele venceu a dor,


e resplandece no seu canto obscuro,


tanto mais velho quanto mais amor.


Drummond

16/10/2009

Amor…

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Soneto de amor

Não me peças palavras, nem baladas,
Nem expressões, nem alma...Abre-me o seio,
Deixa cair as pálpebras pesadas,
E entre os seios me apertes sem receio.

Na tua boca sob a minha, ao meio,
Nossas línguas se busquem, desvairadas...
E que os meus flancos nus vibrem no enleio
Das tuas pernas ágeis e delgadas.


E em duas bocas uma língua..., - unidos,
Nós trocaremos beijos e gemidos,
Sentindo o nosso sangue misturar-se.

Depois... - abre os teus olhos, minha amada!
Enterra-os bem nos meus; não digas nada...
Deixa a Vida exprimir-se sem disfarce!

José Régio

 
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