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25/02/2012

♥Elas…

picasso24

“…ELAS SORRIEM QUANDO QUEREM GRITAR.
ELAS CANTAM QUANDO QUEREM CHORAR.
ELAS CHORAM QUANDO ESTÃO FELIZES.
E RIEM QUANDO ESTÃO NERVOSAS.
ELAS BRIGAM POR AQUILO QUE ACREDITAM.
ELAS LEVANTAM-SE PARA A INJUSTIÇA.
ELAS NÃO LEVAM "NÃO" COMO RESPOSTA QUANDO
ACREDITAM QUE EXISTE MELHOR SOLUÇÃO.
ELAS ANDAM SEM NOVOS SAPATOS PARA SUAS
CRIANÇAS PODER TÊ-LOS.
ELAS VÃO AO MÉDICO COM UMA AMIGA ASSUSTADA.
ELAS AMAM INCONDICIONALMENTE.
ELAS CHORAM QUANDO SUAS CRIANÇAS ADOECEM E
SE ALEGRAM QUANDO SUAS CRIANÇAS GANHAM PRÊMIOS.
ELAS FICAM CONTENTES QUANDO OUVEM FALAR
SOBRE UM ANIVERSÁRIO OU UM NOVO CASAMENTO.”


Pablo Neruda

11/08/2011

Esperemos…

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Há outros dias que não têm chegado ainda,
que estão fazendo-se
como o pão ou as cadeiras ou o produto
das farmácias ou das oficinas
- há fábricas de dias que virão -
existem artesãos da alma
que levantam e pesam e preparam
certos dias amargos ou preciosos
que de repente chegam à porta
para premiar-nos
com uma laranja
ou assassinar-nos de imediato.

Pablo Neruda (Últimos Poemas)

19/12/2010

Ao crepúsculo ..

crepusculo-3d_2768_1600x1200Não...

Depois de te amar eu não posso amar mais ninguém. De que me importa se as ruas estão cheias de homens esbanjando beleza e promessas ao alcance das mãos;

Se tu já não me queres, é funda e sem remédio a minha solidão.

Era tão fácil ser feliz quando estavas comigo.

Quantas vezes vezes sem motivo nenhum, ouvi teu riso, rindo feliz, como um guizo em tua boca.

E a todo momento, mesmo sem te beijar, eu estava te beijando...

Com as mãos, com os olhos, com o pensamento, numa ansiedade louca.

Nosso olhos, ah meu deus, os nossos olhos...

Eram os meus nos teus e os teus nos meus como olhos que dizem adeus.

Não era adeus no entanto, o que estava vivendo nos meus olhos e nos teus,

Era êxtase, ternura, infinito langor.

Era uma estranha, uma esquisita misturada ternura com ternura, em um mesmo olhar de amor.

Ainda ontem, cada instante uma nova espera,

Deslumbramento, alegria exuberante e sem limite.

E de repente... de repente eu me sinto como um velho muro.

Cheio de eras, embora a luz do sol num delírio palpite.

Não, depois de te amar assim,

Como um deus, como um louco,

nada me bastará e se tudo tão pouco,

Eu deveria morrer.

Pablo Neruda

EDIÇÃO: Isadora Nectoux !

15/12/2010

♥ Para o Meu Coração...

Selec%C3%A7%C3%A3o de imagens da semana 12 (24)

 

Para o meu coração basta o teu peito,
para a tua liberdade as minhas asas.
Da minha boca chegará até ao céu
o que dormia sobre a tua alma.
És em ti a ilusão de cada dia.
Como o orvalho tu chegas às corolas.
Minas o horizonte com a tua ausência.
Eternamente em fuga como a onda.
Eu disse que no vento ias cantando
como os pinheiros e como os mastros.
Como eles tu és alta e taciturna.
E ficas logo triste, como uma viagem.
Acolhedora como um velho caminho.
Povoam-te ecos e vozes nostálgicas.
Eu acordei e às vezes emigram e fogem
pássaros que dormiam na tua alma.


Pablo Neruda, in "Vinte Poemas de Amor e uma Canção Desesperada"

19/03/2010

+ Neruda…

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Para meu coração basta teu peito
para tua liberdade bastam minhas asas.
Desde minha boca chegará até o céu
o que estava dormindo sobre tua alma.
E em ti a ilusão de cada dia.
Chegas como o sereno às corolas.
Escavas o horizonte com tua ausência
Eternamente em fuga como a onda.
Eu disse que cantavas no vento
como os pinheiros e como os hastes.
Como eles és alta e taciturna.
e entristeces prontamente, como uma viagem.
Acolhedora como um velho caminho.
Te povoa ecos e vozes nostálgicas.
eu despertei e as vezes emigram e fogem
pássaros que dormiam em tua alma.

Pablo Neruda

03/10/2009

+ Neruda…

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Brincas todos os dias com a luz do Universo.
Sutil visitadora, chegas na flor e na água.
És mais do que a pequena cabeça branca que aperto
como um cacho entre as mãos todos os dias.
Com ninguém te pareces desde que eu te amo.
Deixa-me estender-te entre grinaldas amarelas.
Quem escreve o teu nome com letras de fumo
entre as estrelas do sul?
Ah, deixa-me lembrar como eras então,
quando ainda não existias.
Subitamente o vento uiva e bate à minha janela fechada.
O céu é uma rede coalhada de peixes sombrios.
Aqui vêm soprar todos os ventos, todos.
Aqui despe-se a chuva.
Passam fugindo os pássaros.
O vento. O vento.

Eu só posso lutar contra a força dos homens.
O temporal amontoa folhas escuras
e solta todos os barcos que esta noite amarraram ao céu.
Tu estás aqui. Ah tu não foges.
Tu responder-me-ás até ao último grito.
Enrola-te a meu lado como se tivesses medo.
Porém mais que uma vez correu uma sombra estranha
pelos teus olhos.
Agora, agora também pequena, trazes-me madressilva,
e tens até os seios perfumados.
Enquanto o vento triste galopa matando borboletas
eu amo-te, e a minha alegria morde a tua boca de ameixa.

Quanto te haverá doído acostumares-te a mim,
à minha alma selvagem e só,
ao meu nome que todos escorraçam.
Vimos arder tantas vezes a estrela d’alva beijando-nos os olhos
e sobre as nossas cabeças destorcem-se os crepúsculos
em leques rodoiantes.
As minhas palavras choveram sobre ti acariciando-te.
Amei desde há que tempo o teu corpo de nácar moreno.
Creio-te mesmo dona do Universo.
Vou trazer-te das montanhas flores alegres, “copihues”,
avelãs escuras, e cestos silvestres de beijos.
Quero fazer contigo
o que a primavera faz com as cerejeiras.

Neruda

Talvez

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Talvez não ser,
é ser sem que tu sejas,
sem que vás cortando
o meio dia com uma
flor azul,
sem que caminhes mais tarde
pela névoa e pelos tijolos,
sem essa luz que levas na mão
que, talvez, outros não verão dourada,
que talvez ninguém
soube que crescia
como a origem vermelha da rosa,
sem que sejas, enfim,
sem que viesses brusca, incitante
conhecer a minha vida,
rajada de roseira,
trigo do vento,
E desde então, sou porque tu és
E desde então és
sou e somos...
E por amor
Serei... Serás...Seremos...

Pablo Neruda

12/08/2009

Neruda…

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Esperemos

Há outros dias que não têm chegado ainda,
que estão fazendo-se
como o pão ou as cadeiras ou o produto
das farmácias ou das oficinas
- há fábricas de dias que virão -
existem artesãos da alma
que levantam e pesam e preparam
certos dias amargos ou preciosos
que de repente chegam à porta
para premiar-nos
com uma laranja
ou assassinar-nos de imediato.

Pablo Neruda (Últimos Poemas)

30/06/2009

Neruda sempre...

Quero apenas cinco coisas...
1º é o amor sem fim
2º é ver o outono
3º é o grave inverno
4º o verão
A quinta coisa são teus olhos...
Não quero dormir sem teus olhos.
Não quero ser... sem que me olhes.
Abro mão da primavera para que continues me olhando.
Pablo Neruda

03/06/2009

+ Neruda...

Rainha
Eu te nomeei rainha.
Existem mais altas que tu,mais altas.
Mais puras do que tu,mais puras.
Mais belas do que tu,mais belas.
Mas tu és rainha.
Quando vais pelas ruas ninguém te reconhece.
Ninguém vê a coroa de cristal,
ninguém vê o tapete de ouro vermelho que pisas onde passas,
o tapete que não existe.
E apenas apareces cantam todos os rios
em meu corpo,
as campanas estremecem o céu,
e um hino enche o mundo.
Somente tu e eu,
somente tu e eu,
amor meu,
o escutamos.
De Los versos del Capitán Neruda

 
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